Barbacena

Lat: -21.226443402701000, Long: -43.774194178067000

Barbacena

Minas Gerais, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Como tantas outras localidades mineiras, a história de Barbacena confunde‐se com a da construção de sua Igreja Matriz. Em 1726, foi criada a freguesia de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo, numa modesta capela rural situada à beira do chamado "Caminho Novo", que ligava a região das Minas ao Rio de Janeiro. Nesta mesma data, o bispo escolhia o local onde deveria ser construída uma nova igreja, com a "grandeza proporcionada e decência de vida", por serem as capelas da região "pequenas e situadas sobre propriedades particulares". Mas foi somente em 1743 que o vigário da paróquia plantou uma cruz e demarcou "o espaço preciso para a dita igreja e adro dela"; em seguida, os moradores "tomaram posse de chãos, nos quais entraram logo a fazer suas casas". No entanto, as obras do arraial logo foram paralisadas, pois alguns fazendeiros da vizinhança recorreram ao governador da capitania, reivindicando a posse das terras. Em 1747, embora a contenda não estivesse ainda solucionada, o governador Gomes Freire de Andrade mandou pôr em execução uma provisão régia, que ordenava que se demarcasse "o espaço para o arraial, determinando o sítio das casas e das ruas, com reflexão ao que podia aumentar‐se a dita povoação". As primeiras casas surgiram somente por volta de 1753, e os moradores passaram, então, a almejar o título de vila para o "florescente" arraial da Igreja Nova, onde, por volta de 1763, já havia cerca de oitenta fogos. Mas, somente em agosto de 1791 - em meio às devassas da Inconfidência Mineira - é que seria criada a vila, com a denominação de Barbacena - nome da localidade do Alentejo de que era titular o então governador da capitania (Luís António Furtado de Mendonça, visconde de Barbacena). Algumas décadas depois, o naturalista Auguste de Saint‐Hilaire descrevia a vila: "edificada sobre a crista de duas colinas alongadas (...) a sua forma é aproximadamente a de um T, com duas ruas principais que são alinhadas e bastante largas". Para um historiador local, a regularidade das vias teria sido o resultado de uma intervenção de José Fernandes Pinto do Alpoim, a quem também se atribuiu a organização do traçado da cidade de Mariana. Apesar da falta de documentos probatórios, não se deve excluir a possibilidade de uma participação do engenheiro português nessas realizações, já que entre 1741 e 1750 ele esteve envolvido em vários projetos em Minas Gerais - inclusive no do frontispício da matriz do arraial da Igreja Nova -, ao mesmo tempo que realizava obras no Rio de Janeiro. Mas o traçado regular do núcleo também deve ser relacionado à atuação de outros agentes, como os próprios moradores, ou ainda os párocos - que, em Minas Gerais, participaram da escolha de sítios para diversas capelas e igrejas matrizes, fazendo também a demarcação das ruas dos respectivos arraiais.

Arquitetura religiosa

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