Caeté

Lat: -19.880665852346000, Long: -43.669804561669000

Caeté

Minas Gerais, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

O topónimo, de origem tupi, significa "mato virgem". Segundo testemunhos deixados por sertanistas, as minas do Caeté foram descobertas em 1701, pela bandeira do sargento‐mor paulista Leonardo Nardes. Em 1703, já existia um arraial em volta da Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso, que funcionava informalmente como sede de freguesia (tornada colativa em 1724). Foi no arraial do Caeté que ocorreram os incidentes que deflagraram a chamada "guerra dos emboabas" (1707‐1709) - uma série de conflitos armados entre, de um lado, os pioneiros paulistas, e do outro, os "reinóis" (portugueses da metrópole) e os "baianos" (colonos oriundos das capitanias do Nordeste), que afluíram em grande número à região. Em 1711, depois de acalmados os ânimos, o governador António de Albuquerque instituiu as vilas de Nossa Senhora do Carmo (Mariana), Vila Rica (Ouro Preto) e Sabará. Três anos depois, seu sucessor, D. Brás Baltazar, decidiu criar duas novas municipalidades nas Minas, a "Vila Nova da Rainha do Caeté" e a "Vila do Príncipe" (atual Serro), tendo em consideração "ao muito que conviria ao serviço de Sua Majestade e ao bom governo e conservação dos povos daqueles distritos que neles se fizessem vilas, e se introduzissem justiças para o seu remédio". A preocupação com a manutenção da ordem nessas localidades não era infundada, pois, no ano seguinte, os mineiros de Morro Vemelho (um dos principais arraiais subordinados à câmara de Caeté) se levantaram contra o governador, que pretendia estabelecer um sistema de cobrança de impostos baseado na capitação ("sistema das bateias"). O termo da vila de Caeté não era muito extenso, se comparado aos concelhos vizinhos (Sabará, Vila do Príncipe), mas era populoso e abrangia um grande número de arraiais. Tudo indica, aliás, que a partir da segunda metade do século XVIII alguns desses povoados se tornaram mais importantes, do ponto de vista demográfico e económico, do que a própria sede do concelho. Por volta de 1775, as rendas da câmara de Vila Nova da Rainha estavam entre as cinco maiores da capitania, mas a sede reunia menos homens abastados que alguns arraiais do termo, como Santa Bárbara. No início do século XIX, a vila apresentava um quadro de decadência, como notou o viajante Saint‐Hilaire, para quem a Igreja Matriz era o único "monumento" (registo) de sua antiga opulência: "construída à beira de um riacho, na encosta de uma colina, ela é mais comprida que larga, suas ruas são espaçosas e calçadas, e se a maior parte das suas casas têm apenas o pavimento térreo, pelo menos percebe‐se que elas foram bem construídas (...) mas (...) suas minas se esgotaram e ela foi abandonada pelos seus habitantes. Vêem‐se ali muitas belas casas que estão abandonadas e em ruínas, e sua população não passa de trezentas a quatrocentas almas". Em 1840, a localidade chegou a perder, temporariamente, o título de vila. Somente no final do século XIX ela começou a renascer, graças a um surto de desenvolvimento industrial (fábrica de cerâmica, indústria metalúrgica).

Arquitetura religiosa

Habitação

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