Paracatu

Lat: -17.222505555556000, Long: -46.875247222222000

Paracatu

Minas Gerais, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Não se sabe exatamente quando começou a colonização efetiva da região de Paracatu. Desde o início do século XVII, a região noroeste de Minas foi palmilhada por preadores de índios e ocupada, de maneira esparsa, por criadores de gado paulistas. De facto, há testamentos e cartas de sesmaria que indicam que muitos pioneiros encontraram, ao chegar, "taperas ou povoações do gentio bravo". A ocupação dessas terras pelos brancos foi, portanto, precedida de conflitos entre colonos e índios, sempre com consequências dramáticas para estes últimos. É provável que, inicialmente, tenha havido ali um pouso ou local de arranchamento de bandeiras, que se tornou bastante frequentado após o descobrimento das minas de Goiás (1725). Por volta de 1736, já se cruzavam em Paracatu diferentes caminhos que conduziam à nova zona mineradora, partindo das áreas central e meridional de Minas Gerais, bem como da Bahia, de Pernambuco e das zonas de pecuária à beira do Rio São Francisco. Segundo os historiadores locais, o núcleo urbano formou‐se naquela mesma época, nascendo do encontro de duas bandeiras, e de duas importantes famílias paulistas. A primeira a chegar foi a de Felisberto Caldeira Brant, que mais tarde se instalaria no Tejuco, atual Diamantina. Este descobriu ouro em abundância no ribeiro por ele batizado Córrego Rico, e constituiu, na parte sul, o arraial de Santana, delimitado pela confluência de outro curso d’água, o Córrego Pobre. A segunda bandeira, chefiada por José Rodrigues Fróis, veio da Bahia, e fundou o arraial de São Domingos, dois quilómetros ao norte. Os dois paulistas chegaram ao local guiados por roteiros, e já com a certeza da existência do ouro naquelas bandas, facto que ainda era ignorado pelas autoridades mineiras. Mas foi José Rodrigues Fróis que acabou se tornando o descobridor oficial das minas de Paracatu, denunciadas por ele ao governador Gomes Freire em 1744. Uma década mais tarde, instituiu‐se a freguesia, que foi sendo povoada por gente oriunda de diversas zonas mineiras e das capitanias limítrofes, mas também por grande número de filhos do reino (especialmente de Braga, Porto e Viana do Castelo). Em 1745, os moradores solicitavam à coroa o título de vila, pedido que foi reiterado em 1757. No entanto, na segunda metade do século XVIII os governadores opuseram‐se sistematicamente à criação de novas vilas em Minas Gerais, embora por vezes o Conselho Ultramarino se mostrasse favorável à medida. Assim, somente em 1798 Paracatu alcançou o título, bem como o cobiçado lugar de juiz de fora para o novo concelho. No início do século XIX, de acordo com os viajantes Pohl e Saint-Hilaire, a primitiva igreja de Santana já caía em ruínas, e as outras três existentes também estavam em mau estado. A povoação apresentava uma forma alongada; possuía cerca de 700 casas, quase todas com gelosias e vastos pomares, mas apenas oito delas eram assobradadas. A maioria dos negros livres vivia nas partes periféricas, em cabanas cujo aspecto denunciava "a grande indigência dos donos". Em 1800, a população era de 2.937 habitantes, sendo 266 brancos, 1.840 mulatos e negros forros, além de 801 cativos. Algumas manifestações da cultura popular mantêm‐se vivas na cidade, evidenciando as origens multiétnicas de Paracatu. É o caso da concorrida festa de São Benedito, e sobretudo da "Tapuiada", uma interessante encenação do confronto entre dois povos subjugados pelos colonizadores: os negros africanos ("congos") e os nativos ("tapuias"), ambos buscando a proteção em Nossa Senhora do Amparo.

Arquitetura religiosa

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