Pitangui

Lat: -19.682783333333000, Long: -44.889994444444000

Pitangui

Minas Gerais, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Pitangui significa "rio das pitangas" ou "rio das crianças", nome dado primitivamente ao Rio Pará, em cujas margens os paulistas teriam encontrado uma povoação de índios com muitas crianças. No século XVII, os sertanistas já exploravam a zona compreendida entre este rio e o Paraopeba (bacia do São Francisco). Por volta de 1710, foi descoberto ouro no Morro do Batatal (assim chamado devido à conformação dos depósitos auríferos) e, mais tarde, no leito do Rio São João. Além das "terras minerais", nos primeiros anos do século XVIII foram distribuídas sesmarias, e em torno do arraial foram surgindo numerosas fazendas. Pitangui foi, desde o início, palco de diversos motins e rebeliões - representando um verdadeiro "flagelo" para os governadores de Minas. Parte dos seus moradores eram paulistas bastante insubmissos, que chegaram a publicar bandos proibindo a entrada de portugueses nos recentes descobertos. O governador D. Brás Baltazar tentou inutilmente "acomodá‐los", erigindo, em 1715, a Vila de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui. No entanto, a criação de uma câmara não serviu para melhorar as relações entre os paulistas e as autoridades coloniais, nem para facilitar a coleta dos impostos, nomeadamente dos "quintos". Em 1717, quando o conde de Assumar assumiu o governo da capitania, a vila devia sete arrobas de ouro aos cofres reais, e todas as tentativas de cobrança fracassaram: para escapar ao fisco, os régulos de Pitangui não hesitavam em afrontar os delegados régios, e os mais desprotegidos prefe‐ riam fugir para o sertão, com seus poucos escravos, abandonando suas choupanas "cobertas de feno", que não tinham "valor algum". Exasperado, Assumar acabaria concluindo que, para o bem dos interesses de Sua Majestade, a vila deveria ser suprimida, e mesmo incendiada, para que dela não restasse memória alguma. A situação só foi controlada em 1720, após a intervenção da cavalaria dos Dragões, e a fuga dos prin‐ cipais agitadores, que se lançaram de novo nos matos, descobrindo as minas de Goiás. Ao relatar o ocorrido a Sua Majestade, Assumar afirmava que, para assegu‐ rar a ordem em Pitangui, melhor seria que o lugar fosse povoado por reinóis, e não mais por paulistas, "porque sendo aquela vila toda composta de rústicas habita‐ ções, sempre tem pouca forma, porque a sua vida, e natural propensão que têm de andarem pelos matos, fez que as suas povoações não sejam persistentes", e aquela merecia toda a atenção, pois suas jazidas eram promissoras. As fontes disponíveis indicam que o povoado foi crescendo de maneira um tanto desorde‐ nada sobre os morros e terrenos auríferos, tendo as ruas e becos muitas vezes que contornar ou sobrepor‐se a tanques, valos, regos e canais abertos pelos mineradores. Em 1800, um erudito mineiro observava que Pitangui era uma povoação grande, que merecia o título de vila apesar do seu "mau arranjamento": as casas, "muitas delas boas e nobres, foram quase todas edificadas segundo o capricho dos seus donos, sem arruamento e ordem". Porém, se é verdade que em 1830 os belos sobrados ainda conviviam com "casas cobertas de capim, foreiras e não foreiras", as vereações da câmara comprovam que os oficiais tentaram, na medida do possível, regulamentar e regularizar a forma do traçado e das construções. No século XX, a paisagem urbana de Pitangui foi bastante modificada, verificando‐se perdas de elementos significativos do seu acervo arquitetónico, como a Igreja Matriz, destruída em 1914 num terrível incêndio.

Equipamentos e infraestruturas

Habitação

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