Ondjiva/Ngiva [Vila Pereira d’Eça]

Lat: -17.066475004036000, Long: 15.726789002184000

Ondjiva/Ngiva [Vila Pereira d’Eça]

Cunene, Angola

Enquadramento Histórico e Urbanismo

O estabelecimento das fronteiras entre o Sudoeste Africano (atual Namíbia) e Angola em 1885, na Conferência de Berlim, não coincide com a efetiva ocupação portuguesa do território, que ocorreu depois da Batalha da Môngua (1915), quando o último rei cuanhama, Mandume, foi derrubado pela expedição comandada pelo general Pereira D’Eça, o que possibilitou a tomada de Humbe, Naulila e Môngua. A partir desta conquista foram estabelecidas medidas de consolidação colonial neste território, entre as quais se incluiu a fundação da Vila Pereira d’Eça, que foi sede de circunscrição do Baixo Cunene desde 1927. A atual província do Cunene manteve‐se parte integrante da Huíla até 1 de janeiro de 1971, quando se autonomizou e passou a constituir distrito com capital em Pereira D’Eça, passando depois da independência a denominar‐se Ondjiva (Ngiva). Com a independência, o reduzido povoamento da cidade foi abalado pela saída maciça da população, devido às lutas pela independência, às invasões e ataques sul‐africanos (1975‐1976 e posteriores) e à guerra civil. Até ao final dos anos 1990, a região e a cidade foram marcadas pela militarização e pelas destruições daí decorrentes. Só após a independência da Namíbia teve início a reconstrução da cidade, que assumiu maior expressão na sequência dos acordos de paz de 2002. À semelhança da maioria das cidades e vilas angolanas, Ondjiva cresceu na confluência dos eixos rodoviários regionais (ligações à Namíbia, Cuando‐Cubango e Huíla), estabelecendo‐se segundo um traçado aproximadamente ortogonal. A Avenida Principal, estabelecida sobre a estrada nacional, concentrou desde o início os principais equipamentos, estabelecendo‐se o comércio, os serviços e o tecido residencial nos arruamentos envolventes. O plano do Cunene, elaborado em final dos anos 1960, previa a fixação na província de mais de seis mil famílias portuguesas e o desenvolvimento de sistemas de fornecimento de água, com o intuito de fomentar a produção agropecuária e o desenvolvimento. Um Plano de Zonas de Ocupação Imediata (1970), da autoria do arquiteto Sabino Corrêa, apresentava uma organização espacial pontuada por uma variedade de equipamentos públicos, edifícios administrativos, casas comerciais, igreja, clube e hotel, organizados através de uma alameda com orientação nascente/poente. A área urbana de Ondjiva é atualmente composta pelo aglomerado populacional que se estabeleceu em torno da área central reconstruída e da estrada de ligação a Xangongo/Cahama/Lubango, num alinhamento de sentido noroeste/sudeste, encontrando‐se estruturada em doze bairros. O desenvolvimento mais recente foi marcado pelas fortes migrações para a cidade e pelo estabelecimento espontâneo da população, originando um novo tecido urbano, em torno do núcleo original e ao longo das três estradas nacionais, e a ocupar a envolvente.

Arquitetura religiosa

Equipamentos e infraestruturas

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