Waku Kungo [Colonato da Cela]

Lat: -11.365413195423000, Long: 15.117905996485000

Waku Kungo [Colonato da Cela]

Kwanza Sul, Angola

Enquadramento Histórico e Urbanismo

O colonato da Cela, localizado no Planalto do Amboim, no Kwanza Sul, foi criado por deliberação administrativa, constituindo um exemplo de povoamento dirigido em Angola, através da Junta de Povoamento Agrário da Cela, em 1952. A Cela desenvolveu‐se para assegurar a exploração agrícola e pecuária, contando para isso com populações rurais vindas da metrópole. Destaca‐se pela dimensão, meios financeiros com que foi executado, número de famílias instaladas e divulgação obtida. Surge no momento em que mais pessoas vão para Angola, oriundas, na sua maioria, das zonas mais rurais de Portugal, atraídas ou empurradas por uma campanha pró‐África, especialmente a partir do pós‐guerra, quando a situação económica se torna mais favorável e o incentivo à emigração se faz sentir de forma mais intensa. Constituído por um conjunto de quinze aldeias geridas pela Junta de Povoamento Agrário da Cela, estende‐se por uma paisagem rica em vegetação à margem das cidades, constituindo‐se como estrutura autónoma. Às aldeias da Cela deu‐se o nome de Santa Isabel, Monsanto, Gradil, Pena, Freixo, Santo António de Cavaleiros, Santiago de Adenhaga, Carrasqueira, Lardosa, Sé Nova, Montoito, Vimieiro, Melo, Alqueidão, São Mamede e a vila de Santa Comba Dão, sede do povoamento agrário. Contava‐se que o colonato fosse povoado com trezentas e cinquenta famílias (uma média de vinte e oito por aldeia), ou seja 3.000 habitantes. Cerca de 50% dos colonos eram oriundos de Trás‐os‐Montes e Alto Douro, sendo os outros do resto do país. O Plano de Urbanização do colonato, com as suas várias aldeias, bem como os projetos dos edifícios, foram executados no Gabinete de Urbanização Colonial, sendo os planos assinados pelo arquiteto Fernando Batalha em 1952. Normalmente estruturadas por uma organização hierarquizada de ruas e edifícios, estas novas aldeias compõem‐se de habitações unifamiliares de desenho simples, isoladas na sua grande maioria, tentando reproduzir, em certa medida, modelos dos bairros económicos da metrópole, também eles de cariz rural. Cada aldeia teve um plano de urbanização, sendo a vila de Santa Comba Dão a que mais se destaca, pela representatividade e dimensão. O seu desenho, de composição simétrica com uma grande alameda ao centro, onde se localizam as várias peças de equipamento, termina este percurso, ao longo de suave declive, na sua igreja matriz, cópia fiel da original construída em Portugal em Santa Comba Dão, terra de Salazar. Nos planos elaborados para cada uma das aldeias lêem‐se composições urbanas diferenciadas, embora com alguns pontos em comum; todas se ligam através de uma via estruturante, em rede, sendo a partir desta, e apenas para um dos seus lados, que as aldeias se desenvolvem. Nos casos de Freixo de Espada‐à‐Cinta e Gradil, os planos sugerem um desenho formal, centrípeto, desenvolvendo‐se através de uma via em torno de uma praça ou terreiro. As restantes aldeias caracterizam‐se por um desenho linear, onde as habitações se desenvolvem para um dos lados da via, com a praça a estabelecer a simetria. Ao nível do desenho dos edifícios (quer das habitações quer dos equipamentos), e apesar da modéstia das propostas, destaca‐se algum sentido inovador e moderno, numa tentativa de conciliar a ruralidade preconizada para as habitações com a modernidade da época, havendo, nalguns casos, apontamentos tímidos que se faziam sentir em pequenos elementos compositivos, dados pela afirmação da horizontalidade, marcada pelo ritmo e desenho dos vãos, o uso de frisos, palas, pérgulas, alpendres e platibandas. Em Santa Comba Dão existiam edifícios com várias funções e programas, nomeadamente os Paços do Concelho, camaratas para colonos recém‐chegados, messe de operários, mercado, hospital e pousada, construída para ser convento de religiosas mas finalmente utilizada como a Estalagem do Monte. De salientar a presença religiosa, através do colégio das irmãs da Cela e da igreja.

Equipamentos e infraestruturas

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