Safi [Safim, Çafi]

Lat: 32.299441666667000, Long: -9.242408333333300

Safi [Safim, Çafi]

Norte de África, Marrocos

Enquadramento Histórico e Urbanismo

À medida que a costa africana ia sendo descoberta, maior importância ganhavam as praças do litoral sul de Marrocos. Entre elas, a cidade de Safim seria, provavelmente, a mais povoada, a mais cosmopolita, a mais rica e até a mais independente delas todas. Tratava‐se de uma cidade que os portugueses frequentavam, conheciam bem e usavam como escala para comprarem os tecidos que vendiam e trocavam no Golfo da Guiné.
Teoricamente a cidade dependia do "rei" de Marraquexe, mas, nos finais do século XV, tinha um estatuto mais ou menos independente, pelo que era palco constante de lutas internas, que a dilaceravam. As redes, grupos sociais e indivíduos que se confrontavam no poder da cidade tinham várias articulações: havia correntes favoráveis a uma ligação mais forte com os portugueses, enquanto outros preferiam Castela; havia grupos que se opunham fortemente ao comércio com os infiéis cristãos, face a outros que lhe eram favoráveis; havia tribos e gentes da cidade que defendiam que a sua segurança só tinha sentido com uma estreita ligação ao poder de Marraquexe. De facto, as possibilidades e a realidade estavam sempre a criar motivos de confronto.
Talvez por isso, pelo menos antes de 28 de agosto de 1481, D. Afonso V aceitara considerar‐se o protetor da cidade, o que significou facilidades de comércio para os portugueses. É essa situação que D. João II confirma em 16 de outubro de 1488, numa carta que dirigiu ao caid de Safim, aceitando, agora, renovar o acordo.
Note‐se que, apesar das facilidades comerciais e da presença constante de comerciantes portugueses na cidade, pelo menos em novembro de 1479 não havia ainda uma feitoria portuguesa em Safim. Eustache de la Fosse, que aí então fez escala, testemunha que os feitores portugueses tinham vindo fazer os seus negócios à cidade e esperavam os navios que os trariam de novo ao reino. Ou seja, a feitoria era verdadeiramente itinerante.
Será só com o rei D. João II que se constrói uma casa "parecida com um castelo e onde está um feitor" (Cénival), com a qual Portugal inaugura um período de sólida presença na cidade. A partir de 1491, porém, abunda a documentação acerca da feitoria, a qual sabemos ter sido mesmo dotada de uma capela e um capelão.
A conquista definitiva da cidade só teve lugar em 1508, quando Diogo da Azambuja, enviado pelo rei para pacificar a cidade, face ao desenrolar dos acontecimentos, resolveu apoderar‐se dela. Esta decisão liga‐se à agitação que por essa ocasião se apoderara da cidade, com os diversos grupos a digladiarem‐se entre si.
Tomada a cidade, não admira que em Safim se mantivesse durante muitos anos um grupo de mouros nitidamente favoráveis à presença portuguesa; eram os chamados "mouros de pazes", que, enquanto puderam, retiraram vantagem da nova situação. Quando morreu, em 1519, um dos mais conhecidos dirigentes destes mouros favoráveis aos portugueses, o alcaide Yahya bem Tafuft, começou um lento processo de refluxo da permanência dos portugueses em Safim. É certo que não ajudava a consolidar essa presença a permanente atitude de pilhagem - de gados, de alfaias e de colheitas - que os portugueses protagonizavam, mas também é verdade que este não era um modo de vida estranho na região.
Como se verá, da construção da feitoria e da sua fortificação, os portugueses ergueram um imponente sistema de defesa, que compreendia um grande conjunto de muralhas e dois castelos. À medida que iam ficando, foram construindo outras estruturas que, ainda hoje, podem ser visitadas em Safim e às quais os habitantes da cidade dão especial valor.
Depois destes anos iniciais com algum sucesso, com a emergência dos xarifes sádidas na região do Suz e a perda de Agadir e Aguz em 1541, D. João III não teve outro remédio senão mandar abandonar a cidade, o que aconteceu ainda nesse mesmo ano. Esta decisão só foi tomada depois de muitas consultas promovidas pelo rei; a maioria dos inquiridos opunha‐se ao abandono de Safim, ou pelo menos mostrava forte renitência, em especial pelo significado que a presença portuguesa encerrava. Mas os custos e os riscos eram demasiado grandes para manter esta praça.

Filipe Themudo Barata

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