Igreja e Santa Casa de Misericórdia

Igreja e Santa Casa de Misericórdia

Salvador, Bahia, Brasil

Arquitetura religiosa

A Santa Casa de Misericórdia da Bahia situa‐se no bordo da Montanha, entre as praças Tomé de Souza e da Sé. O conjunto, construído ao longo de 75 anos, compõe‐se de igreja em posição central; o atual museu, à direita, em torno de cujo pátio se reunia a botica e a sacristia, no piso térreo, e salão nobre com belo teto em gamela com pinturas sacras e gabinete do provedor, no superior; o Hospital Novo, à esquerda; e a enfermaria de mulheres, ao fundo. A instituição existe desde 1549, quando da fundação da cidade. Originalmente, eram simples casas adaptadas a enfermaria e uma capela. Os holandeses, quando da invasão de Salvador, em 1624, a ocupam e destroem toda a sua documentação. Datam de 1650 as primeiras referências à recuperação das enfermarias. Em 1653, a Mesa decide pela reconstrução da igreja, obra que é confiada a Francisco Magalhães e Pedro Fonseca, sendo consultados Frei Macário de São João e um certo Álvares para execução "da porta principal e frontispício todo que há de ser na forma de trassa". Esta fachada em galilé seria modificada em 1722. Em 1661, a nova igreja se expande para trás, ocupando a antiga sacristia. Entre 1674 e 1679, constrói-se a ala posterior do pátio, com cripta, nova sacristia, caixa da escada e salão nobre, mas só em 1695 se conclui todo o claustro. O novo hospital é edificado sobre as antigas enfermarias, entre 1690 e 1696, mas não chegou a ser concluído. Em 1704, mestre Gabriel Ribeiro é contratado para revestir a escadaria, e a bela loggia sobre a baía, com mármore português. Como a igreja tivesse ficado atarracada entre as duas novas alas e fosse necessário criar um segundo coro exclusivo para as moças do Recolhimento, que se construiu na quadra vizinha ao Hospital e era ligado a ele por uma passarela, decidiu‐se, em 1700, levantar a nave. Em consequência dessa ampliação, foi necessário refazer a fachada e interior da igreja, no período de 1722 a 1728. Sua igreja possui um rico acervo de arte sacra. No teto da capela‐mor foi feita a primeira pintura em perspectiva ilusionista da Bahia (1735), pelo português António Simões Ribeiro, já desaparecida. Os painéis de teto em caixotões são atribuídos a António Rodrigues Braga (ca. 1720). Em 1722, foram introduzidos extensos painéis de azulejos representando as procissões de Fogaréus e dos Ossos (recentemente recuperados pela Fundação Calouste Gulbenkian). José J. da Rocha pinta em 1777 quadro para o fundo do retábulo e seis painéis laterais (1792) da capela‐mor. A instituição exibe em seu museu uma valiosa galeria de retratos de provedores e benfeitores, além de possuir rica documentação sobre famílias baianas. A Santa Casa é o primeiro complexo religioso da Bahia a seguir o modelo monumental do palácio-convento de Mafra, com a igreja no centro e longas alas laterais, modelo que seria repetido no Colégio dos Órfãos de São Joaquim (1709‐59) e na Igreja de Conceição da Praia (1739‐73).

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