Igreja da Ordem Terceira da Penitência de São Domingos de Gusmão

Igreja da Ordem Terceira da Penitência de São Domingos de Gusmão

Salvador, Bahia, Brasil

Arquitetura religiosa

O Terreiro de Jesus é assim designado porque, entre construções civis monumentais, se erguem torres, cruzeiros, sinos e importantes edifícios religiosos da cidade do Salvador. É de todas as igrejas porque, em seu espaço contínuo de duas praças, uma grande festa de fé se faz entre molduras arquitetónicas que ressaltam e escondem uma cidade tridentina, preparada para o percurso, o encontro, o professar. E neste lugar sagrado uma história está presente em ideologia, em requinte, em Irmandade Terceira da Penitência de São Domingos de Gusmão.
Sua origem remonta ao ano de 1723, quando a Irmandade se estabeleceu no Convento dos Beneditinos, sendo eleito prior o desembargador Afonso Rodrigues Sampaio. Em 1730, os irmãos compraram casas no Terreiro de Jesus e começaram, em 1731, seu sonho de edificar monumental construção - sob a direção do mestre João Antunes dos Reis -, que atendesse às necessidades da instituição e lhe traduzisse o prestígio em sua originalidade e grandeza.
E quase tudo se fez conforme o programado. Capela em nave única, corredores laterais, casa do noviciado, sacristia. Monumental escada, guarda‐corpo e arranque de jacarandá em estilo rococó conduzem à parte superior, onde estão consistório, secretaria, coro e tribunas da capela‐mor e da nave. Sonharam também os dominicanos com frontispício em pedra lavrada, a ser obtido em Portugal, mas este desejo frustrou‐se em 1786, quando, cientes de sua impossibilidade, desistiram dessa erudição maior.
O resultado se fez em desenho singular, onde cada espaço, na fachada e no interior, traduz época e função. No centro, ergue‐se a capela com seus três corpos em decoração de arenito, de jarros, de cimalhas, de torres gémeas, das quais uma não se edificou. Na Casa dos Santos, a simplicidade traduz o neoclássico do final do século XVIII, 1781, e no terceiro corpo, onde seria o hospital e asilo dos idosos, desenho e proporções transmitem a mudança do tempo e a continuidade das ações.
No século XIX, reformas são realizadas, mantendo‐se a pintura ilusionista barroca do século anterior, atribuída a Joaquim José da Rocha. No entanto, reformando sua talha para a modernidade neoclássica, cujo desenho foi realizado em 1873 por Joaquim Rodrigues de Farias, todo o seu conjunto é harmonia e transparência de um ideal luso, marcante na composição dos seus irmãos e que persiste, perdura e se eterniza.

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