Casa e Capela da Antiga Quinta do Unhão

Casa e Capela da Antiga Quinta do Unhão

Salvador, Bahia, Brasil

Habitação

Conjunto constituído pelo Solar, Igreja de Nossa Senhora da Conceição, cais de desembarque, fonte, aqueduto, chafariz, armazéns e o velho alambique com seus tanques. Está construído sobre aterro, no sopé da falha geológica de Salvador. Foi entreposto comercial. Era despachado do seu cais o açúcar fabricado em alguns dos engenhos baianos. Notável implantação paisagística. Sua vizinhança é formada por uma pequena praia de seixos, a encosta verdejante e o conjunto de casas populares da Gamboa de Baixo. O solar da quinta se desenvolve em três pavimentos: térreo, pavimento nobre, cujo acesso se faz por uma ponte de quatro arcos, e segundo andar, que foi criado no final do século XIX. Na ponte de acesso ao solar existem barras de azulejos policromados de ornamentação barroca, produção de Lisboa de 1770/80. Do interior do solar nada sobrou, com a sua transformação em fábrica de rapé e trapiche. O mesmo pode ser dito da capela, até 1960 utilizada como serraria. O chafariz, que era originalmente alimentado pelo aqueduto, é uma bela peça barroca em arenito escuro, formado por uma carranca de onde jorra a água, e duas conchas superpostas. Na fonte, situ‐ ada à esquerda da capela, existia até há alguns anos bela carranca de pedra. Embora situado praticamente dentro da cidade, esse conjunto era um complexo agro‐industrial do mesmo género dos engenhos de açúcar, com casa‐grande, capela e senzala. Em 1584, Gabriel Soares de Souza doa, por testamento, aos beneditinos, o terreno em que se encontra a fonte que perpetuou o seu nome. O inventário do visconde da Torre de Garcia D’Ávila refere‐se a um grande alambique ainda funcionando em 1853, provavelmente com o mel enviado do Recôncavo. Até meados do século XIX o solar só possuía dois pavimentos e "água furtada em ambas as frentes com três janelas e duas nos lados laterais". A planta da capela (1794) é típica das igrejas matrizes e de irmandade do começo do século XVIII, apresentando, porém, uma particularidade: nave e capela‐mor da mesma largura e altura. Sua fachada estilo rococó tardio deve ser do século XIX. Classificado pelo IPHAN em 1943, integra o centro histórico da cidade. Abriga hoje o Museu de Arte Moderna da Bahia.

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