Santuário de Bom Jesus de Matosinhos (ou Bom Jesus do Bacalhau)

Santuário de Bom Jesus de Matosinhos (ou Bom Jesus do Bacalhau)

Piranga, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

O arraial do Bacalhau, oficialmente conhecido pelo nome de Santo António do Pirapetinga, formou‐se por volta de 1704, após a descoberta de ouro nas suas cercanias. Ali surgiu o mais belo templo do vale do Piranga, o que se explica pelo enorme fervor que despertava em Minas o culto ao Bom Jesus de Matosinhos. Ainda no século XVIII, tiveram início os jubileus, que atraíam (e ainda atraem) grande número de romeiros; para estes, foram construídas pequenas casas térreas em torno da igreja. O conjunto está implantado "sobre uma colina que domina todo o espaço circundante, seguindo a tradição arquitetónica portuguesa das capelas de peregrinação" ligadas a esta devoção. A Irmandade do Bom Jesus foi oficialmente instituída por volta de 1792, e seu acesso era facultado a todos os devotos, "homem ou mulher, Branco, Pardo, ou Preto, Escravo ou Livre". Sabe‐se que a construção da igreja se estendeu por seis décadas (1780‐1840). A autoria do risco talvez possa ser atribuída a José Coelho da Silva, que ali trabalhou desde o início como carpinteiro. A fachada é bastante singela, mas de composição elegante e bem proporcionada. No retábulo do altar‐mor, executado em 1781 e reformado em 1796, trabalharam José de Meireles Pinto e António Meireles Pinto, dois entalhadores do Norte de Portugal, provavelmente irmãos. Suas imagens trazem "referências à linguagem escultórica medieval dos períodos românico e gótico, comuns nas pequenas aldeias europeias". Mas o que esta igreja tem de realmente extraordinário é a pintura ornamental, não só pela sua qualidade, mas também pela unidade do programa decorativo que se manifesta nos forros da nave e capela‐mor, nos quadros da Via Sacra, nos painéis do coroamento do arco‐cruzeiro, e na pintura do camarim do Bom Jesus. Nestes trabalhos distingue‐se o nome de Francisco Xavier Carneiro, que ali trabalhou de 1806 a 1840. Em 1996, todo o conjunto arquitetónico e paisagístico do Santuário, assim como o acervo móvel do templo, foi classificado pelo IPHAN.

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