Igreja Matriz de Santo António

Igreja Matriz de Santo António

Santa Bárbara, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

Graças a um livro da Irmandade do Santíssimo Sacramento, iniciado em 1736, sabe‐se que esta igreja passou por diversas reformas e reconstruções. As primeiras edificações estiveram a cargo dos mestres Francisco de Faria Xavier (até 1744) e António Martins Passos (1744‐1756). Quando estavam sendo concluídos diversos trabalhos de ornamentação interna, a parte estrutural da igreja já ameaçava ruir - o que não era raro acontecer com as edificações de taipa. Assim, em 1760, todas as irmandades da freguesia (Santíssimo Sacramento, São Miguel e Almas, Santo António, Nossa Senhora do Terço) decidiram arcar com as despesas da "reedificação e ornato decente da dita matriz", contratando a obra com o mestre João da Costa Batista. Embora tenha havido diversas intervenções no frontispício, como a introdução de elementos decorativos de inspiração rococó na portada, a fachada conservou a tipologia geral das matrizes da primeira metade do século XVIII. Internamente, a igreja apresenta uma notável harmonia de talha, ornatos e pinturas. O retábulo do altar‐mor, com decoração rococó de carácter tardio, não corresponde ao original, de gosto joanino, executado em 1744 e substituído na última reforma do século XVIII - diversos elementos que o compunham foram reutilizados na confecção do retábulo do altar da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Os altares e todo o revestimento do arco‐cruzeiro também têm ornatos de estilo D. João V. O forro da capela‐mor apresenta uma notável pintura ilusionista, da autoria de Manuel da Costa Ataíde. Nas laterais da capela‐mor, o mestre realizou outras pinturas decorativas, imitando azulejos, semelhantes às da Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto. O forro da nave também ostenta belas pinturas rococó, supostamente de um discípulo de Ataíde, mas que contou, provavelmente, com a participação do mestre. O coro da Matriz de Santa Bárbara, com suas curvas generosas que avançam sobre as laterais da nave, é um dos mais belos de Minas. Além dos nomes citados, trabalharam nesta igreja os pintores Manuel Rebelo de Souza, Gonçalo Francisco Xavier e José Rodrigues da Silva. Foi classificada pelo IPHAN em 1938, e já passou por várias restaurações. Em 2003 apresentava bom estado de conservação.

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