Igreja do Bom Jesus de Matosinhos

Igreja do Bom Jesus de Matosinhos

Serro, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

Situada numa plataforma, no alto de uma escadaria de pedra, esta igreja segue o mesmo padrão arquitetónico da Matriz e da Igreja do Carmo: fachada dividida em planos pelos cunhais e esteios de madeira aparente; empena triangular com óculo (os arremates de lambrequins constituem acréscimo posterior); porta única central; torres de secção quadrada, com janelas alinhadas às duas do nível do coro, e telhados piramidais. Pouco se sabe sobre sua construção: há uma referência à igreja num documento datado de 1785, e os demais dados existentes referem‐se apenas a consertos realizados em 1833 e 1841‐1845. Sabe‐se, ainda, que em 1874 as torres estavam em ruínas, e há notícias de uma "reconstrução" efetuada em 1886. Internamente, a capela‐mor também apresenta estrutura semelhante à de outras igrejas do Serro, sendo ligada à sacristia por arcadas laterais. Segundo Aires da M. Machado Filho, um dos retábulos da igreja constitui uma cópia bastante fiel da estampa de um antigo missal português, editado em 1724. Na capela‐mor, a talha é de excelente execução, mas o que há de mais notável é a pintura do forro, em perspectiva ilusionista, que traz inscrita a data de 1797. O medalhão central, emoldurado por rocalhas, flores e anjos, contém a representação do lendário episódio do recolhimento da imagem do Cristo crucificado na praia de Matosinhos, em Portugal - numa composição que, segundo Myriam R. de Oliveira, caracteriza‐se pelo "espírito de leveza e alegria", próprio do rococó. De acordo com a autora, "a tradicional atribuição deste forro ao pintor Silvestre de Almeida Lopes vem sendo questionada ultimamente em favor de Caetano Luiz de Miranda, por confronto estilístico com obras documentadas de sua autoria". A igreja foi classificada pelo IPHAN em 1941.

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