Habitação coletiva

Habitação coletiva

Goa [Velha Goa], Goa, Índia

Habitação

A construção de habitação coletiva no Estado da Índia Portuguesa cingiu-se a alguns exemplos de casas económicas e de casas para funcionários, realizadas sobretudo nas últimas duas décadas de governação portuguesa.

Dessas intervenções destacam-se as habitações económicas para funcionários da Polícia do Estado da Índia (PEI), por serem o grupo mais coeso.

Realizados em conjunto pelo governo do Estado da Índia e a Associação Montepio da PEI, estes grupos de casas económicas foram construídos na sua maioria durante os anos de 1959 e 1960. As Associações Montepio eram constituídas por grupos de profissionais, normalmente funcionários do Estado, mas não só, que através de quotas e outras contribuições asseguravam uma reforma ou outro tipo de assistência para si e para a sua família, por exemplo, em caso de invalidez ou morte do associado.

A maioria destas intervenções resumiu-se a um bloco, de um só piso, com entre seis e nove habitações, como é o exemplo de Pondá (1960), Mapuçá (1960), Sanguém (1961), Bicholim, Valpoi e Canácona (1959-1960). Em Vasco da Gama tem dezoito habitações, divididas em dois blocos, tal como em Margão, embora ali estejam divididas por três blocos, um deles de dois pisos, que se organizam em torno de um terreiro, junto à linha de comboio. Segundo uma placa existente no bairro de Pangim, esse conjunto de bairros deveu-se ao esforço do então comandante J. Pinto Braz.

A sua arquitetura tem características comuns, sendo facilmente identificáveis quando se percorre o território. São estruturas elementares onde, no interior e no exterior, se procurou a otimização de espaço e de recursos. Desconhece-se a exacta autoria, mas todas foram desenhadas no Gabinete de Estudos e Obras.

Destacam-se as intervenções feitas em Diu (ver entrada), pela sua qualidade arquite- tónica, e em Pangim, por ser o conjunto de maior dimensão, onde sobressai o cuidado posto na sua implantação.

O bairro de Pangim localiza-se no Altinho, na encosta poente, para o lado de Santa Inês, num terreno doado pela Igreja. É composto por um total de sete blocos, que se organizam em anfiteatro, virando-se para a foz do Rio Mandovi e para o mar. Ocupando uma área central, existe um terreiro com uma pequena capela dedicada a São Francisco Xavier, que também dá o nome ao bairro.

Os edifícios foram construídos em duas fases, a primeira inaugurada a 2 de janeiro de 1960 e a segunda a 20 de novembro do mesmo ano. No total foram construídos seis edifícios de um piso, com seis residências cada e um bloco de dois pisos.

Os blocos de um piso são volumes retangulares simples, com um telhado de duas águas, na maioria sobrelevados relativamente ao solo, sendo através do embasamento que se resolve a diferença de cotas. Na fachada principal têm uma varanda corrida, por onde se resolvem as entradas principais das casas. Na parte de trás existe um pequeno espaço comum ao longo do volume, que resolve através de um muro a diferença de cotas com o terreno e é usado como área de serviço, existindo inúmeros acrescentos nestas zonas. No bloco mais a norte, a fachada principal utiliza uma grelhagem quadrangular que faz lembrar a intervenção de Diu. O bloco de dois pisos é dividido em dois volumes distintos, que se encaixam no terreno em declive acentuado. Mais compacto que os restantes blocos, as galerias de acesso são fechadas por uma grelhagem, utilizada para resguardar a entrada nas habitações. Em alguns dos blocos e apesar de o espaço habitável ser mínimo, certas casas foram posteriormente divididas em duas.

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