Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Sabará, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

Nossa Senhora da Conceição de Sabará foi uma das primeiras freguesias a serem criadas em Minas, no alvorecer do século XVIII, e uma das vinte que foram tornadas colativas em 1724. Há pouquíssimas informações documentadas sobre esta matriz. Uma capela primitiva (referida como "igreja velha" em alguns documentos) teria sido construída na margem direita do Rio Sabará, entre 1701 e 1710. A partir de 1714, existem referências a uma "igreja nova", e por volta de 1720 ela começou a ser denominada "igreja grande" ou "igreja matriz". Em 1718, as obras já estavam bem adiantadas, inclusive no que toca à ornamentação interna, pois neste ano o governador de Minas, D. Pedro de Almeida (conde de Assumar), informou ao rei que apenas duas igrejas da região mineradora possuíam a "decência devida": a de Ouro Preto (provavalmente a de Nossa Senhora do Pilar) e a de Sabará. A fachada desta matriz assemelha‐se à de outras igrejas mineiras do período (duas torres com secção quadrada e telhado piramidal, portada central com nicho, duas janelas no nível do coro, frontão movimentado com óculo e encimado por cruz), mas a sua planta tem a particularidade de apresentar três naves. O altar e o retábulo da capela‐mor são da autoria do português Francisco Vieira Servas; apresentam colunas e arquivoltas torsas, e uma decoração profusa com motivos fitomorfos e zoomorfos. Os altares laterais seguem o mesmo estilo, e a talha do arco‐cruzeiro também se mostra coberta por folhagens e outros motivos ornamentais dourados. Como na Igreja de Nossa Senhora do Ó, as paredes laterais (arcadas que separam a nave central das laterais) são revestidas de apainelados de madeira dourada e pinturas decorativas representando cenas religiosas. Há também nesta igreja as chamadas "chinesices", pinturas em laca vermelha e ouro com motivos orientais, presentes nas portas laterais da capela‐mor. As naves laterais são cobertas por abóbadas ogivais de madeira, revestidas de talha. O forro da nave é em gamela, com caixotões de fundo branco, molduras douradas e singelas pinturas referindo‐se à ladainha de Nossa Senhora. O edifício foi classificado pelo IPHAN em 1938, e em 1964‐1965 foram realizados importantes trabalhos de restauração, que incluíram a remoção de espessa camada de tinta branca que recobria grande parte da talha dourada (repintura realizada no século XIX). Em 2007, a imagem da padroeira e diversos elementos decorativos da nave foram novamente restaurados.

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