Escolas Pinto Correia

Escolas Pinto Correia

Baucau, Baucau, Timor

Equipamentos e infraestruturas

Erigidas por iniciativa do tenente Armando Eduardo Pinto Correia, administrador da circunscrição de Baucau entre 1928 e 1934, com recurso a verbas da junta local e contribuições voluntárias da população local, as escolas de Teulale, Laga, Baguia, Quelicai, Vemasse, Laivai e Venilale obedeceram a um mesmo plano construtivo, de sua autoria.
Visando dotar a circunscrição de uma rede escolar, que ao tempo contava apenas com três escolas, e suprir as insuficiências da educação ministrada pelos missionários, que reputava de má qualidade, Pinto Correia seria ainda responsável por um plano curricular a ser aplicado nos novos estabelecimentos de ensino.
Os edifícios das escolas, que contemplam um átrio, um pátio interior descoberto, uma sala de aula e um refeitório, circundados em três frentes por uma varanda, estariam integrados, de acordo com o projeto do administrador, num complexo escolar que incluiria ginásios ao ar livre e cobertos, oficinas de carpintaria e serralharia, viveiros para o ensino da agricultura e uma residência para o professor. A estrutura deste complexo espelha o modelo educativo então defendido pelo governo para as populações indígenas, a quem se entendia adequada a administração de uma educação letrada básica, complementada por uma aprendizagem prática.
A Escola do Reino de Venilale, a mais monumental do conjunto, obedece a modelo tipológico caracterizado por dois pavilhões paralelos com cobertura de três águas - as tacaniças surgem apenas nos topos da fachada principal - revestida a chapa ondulada de aço zincado e de construção muito simples, separados/ unidos por pátio central, cujo espaço equivale aproximadamente a um terceiro pavilhão justaposto e subtraído. Este dispõe apenas de um pequeno espaço interior vestibular anexo ao acesso principal, que serve de mediação entre o exterior público (rua) e privado (pátio). Simbolicamente, o pátio é conotado com o claustro conventual, a que não falta o poço redondo, agora sob a forma de canteiro e caldeira de árvore, que serve para sombreamento deste espaço exterior.
Este conjunto de pavilhões e pátio central encaixa por três lados num sistema exterior de galerias em U, com simples alpendres nas partes laterais, que formam as pernas do U, e arcadas no corpo central da base, numa espécie de cenário plano da fachada principal. Tal faz subir o tom representativo e enobrece o carácter arquitetónico do conjunto, apenas na sua face de apresentação mais urbana, um pouco ao modo do palácio do renascimento italiano, onde se interpreta a fachada como um cenário urbano ao qual são justa‐ postos os diversos volumes funcionais.
Na base do U exterior em arcadas e no eixo de simetria, situa‐se a entrada principal da escola, bem marcada e identificada por frontão curvo encimando três arcos, dos quais se destaca o central, e a escadaria em forma de tronco piramidal com patamar de acesso definindo o nível da entrada. É patente no desenho a influência chinesa de Macau, por exemplo no frontão redondo apoiado em arcadas e duplas colunas com caneluras pintadas em tom forte, repetindo um mote cromático que acontece em capitéis, cornijas, sancas, molduras e elementos ornamentais de platibandas.
Exteriormente, o edifício da Escola do Reino de Venilale, à semelhança dos demais edifícios escolares, é inspirado na arquitetura clássica, com uma fachada falsa, ornada por uma colunata e frontão, tal como o monumental mercado de Baucau, erigido igualmente por iniciativa de Pinto Correia.
A Escola do Reino de Venilale, que beneficiou entre 2000 e 2002 de obras de recuperação segundo um projeto do Grupo de Estudos de Reconstrução - Timor Leste (GERTiL), da Faculdade de Arquitetura de Lisboa, é presentemente o imóvel do conjunto que se encontra em melhores condições.

Edmundo Alves

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