Arquitetura Militar

Arquitetura Militar

Ceuta/Sebta, Norte de África, Espanha

Arquitetura militar

Quando a praça foi tomada, estava murada à maneira medieval, conforme se descreveu, aproveitando‐se as defesas islâmicas com algumas reparações. Recorria‐se, essencialmente, a armas neurobalísticas. Desenvolveu‐se, no sertão, um sistema de vigias e atalaias mais elaborado para "segurar o campo". No século XV, regista‐se a passagem de vários pedreiros, carpinteiros e mestres para elaborar pequenas obras de reforço na praça. No final da centúria, um plano previa um reforço do castelo e das muralhas para resistirem melhor ao fogo e permitirem o trabalho das bombardas da defesa.
Foi durante o século XVI que tiveram lugar as mais importantes obras de renovação de fortificação da cidade, quer durante a expansão manuelina, quer na retração joanina. Nas primeiras décadas foram feitas obras de adaptação ao uso da artilharia, sem grande evolução no desenho das muralhas. Estávamos num período de arquitetura militar de transição, que ainda hoje pode ser observada em Arzila, Alcácer‐Ceguer, Safim e Azamor. Com D. Manuel I é construído um bastião para defender a Porta da Almina, e uma nova couraça, que rematava também com um bastião.
A grande alteração no sistema defensivo de Ceuta dá‐se, como em Mazagão, devido ao aumento da pressão muçulmana, a partir de 1541, com a queda de Santa Cruz do Cabo Guer. Nesse ano, estiveram em Ceuta os arquitetos Benedito de Ravena e Miguel de Arruda, que traçaram um plano para tornar a cidade mais forte, modernizando as obsoletas e degradadas defesas. Os trabalhos começaram pela frente terrestre, com os baluartes de Santiago e de São Sebastião e uma extensa cortina com um fosso profundo que ia de mar a mar, só mais tarde sendo construídas as obras do lado do mar. Na frente mediterrânica foi feita uma couraça para defender o desembarcadouro, enquanto no lado do Atlântico se fez um espigão. Durante anos, foram construídas, cobrindo a frente abaluartada da cidade, duas extensíssimas cortinas que amarravam a três baluartes. A oriente, junto ao Mediterrâneo, o de Santa Ana. No centro, o de São Paulo. A ocidente, próximo do Atlântico, o de São Pedro. Esta obra exterior procurava impedir a aproximação excessiva do inimigo. O extenso terreiro que ficava entre as cortinas e o fosso da cidade era reforçado com muros e estacadas para aumentar as condições de defesa.
Devido à insegurança em que a cidade ainda se encontrava, em parte devido à evolução dos sistemas de ataque inimigos, continuavam a tornar‐se necessárias as obras de conservação e renovação que foram para além do período filipino. Com a integração de Ceuta na coroa espanhola, em 1640, não cessou o esforço defensivo. Houve um aumento da defesa em profundidade do lado terrestre, com obras exteriores e, no conjunto da península de Ceuta, com baluartes e revelins. A Espanha fez, mais recentemente, evoluir os sistemas defensivos da cidade, construindo baterias de artilharia e casamatas. O acesso ao território autónomo a partir de Marrocos é, atualmente, controlado por uma sofisticada cerca e meios electrónicos. Na secular disputa dos espaços mediterrânicos pelos povos ribeirinhos, a Espanha deu continuidade à presença portuguesa do outro lado do Estreito de Gibraltar.

Francisco Sousa Lobo

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