Forte Mirani

Forte Mirani

Muscat [Mascate], Golfo Pérsico | Mar Vermelho, Omã

Arquitetura militar

No complexo sistema defensivo de Mascate, para além da citada muralha da cidade, destacam‐se o Forte Mirani e o Forte Jalali, cada qual construído em seu braço da baía. O Forte Mirani, designação derivada do primitivo nome de almirante por ser este conhecido por Forte Almirante ou Capitão, dado que servia de residência ao capitão da praça, foi edificado no ano de 1588 por ordem do vice‐rei D. Duarte de Meneses, conforme reza a lápide ainda hoje existente: "Reinando ho mui alto he poderoso F(ilippe) primeiro deste nome R(ey) he S(enhor) Nosso no houtavo ano de seu reinado na croa de Portugal mandou por Don Duarte de Menezes seu Vizo‐R(ei) da Índia que se fizesse esta fortaleza a qual fez Belchior Cal(aça) seu primeiro capitão e fundador - 1588". A representação de Barreto de Resende e a descrição de António Bocarro atestam bem a irregularidade do forte, ditada pelo acidentado do relevo. Bocarro começa por descrever o baluarte a que chamavam couraça, que fora construído junto ao mar e aos pés do forte. A dita couraça terá sido levantada em 1610, para reforço da defesa do porto e para que se evitasse o desembarque de pequenos navios. Uma lápide que assinala a construção deste bastião refere: "A experiência, o zelo e a verdade constituem para mim a protecção da cruz que me defende sobre a ordem do grande poderoso rei Filipe, terceiro do nome, no ano de 1610". A mesma inscrição desmente um documento que refere ter sido em 1612, e por carta régia de 26 de janeiro, dada ordem a Garcia de Melo que se fizesse a couraça e outras coisas necessárias, a que este terá dado princípio. Da couraça se atingia a parte superior da fortaleza, galgados que fossem sessenta degraus. Alcançada a praça, aí se encontravam a cisterna e a ermida, que é hoje a igreja que resta das três construídas pelos portugueses. A capela é um pequeno templo de planta circular e cúpula de inspiração islâmica. Tem um interessante portal de duplo arco de volta perfeita com colunelos e motivos cordiformes e na parte exterior uma pia de água benta, onde se lê a inscrição em latim: Ave‐Maria gratia sancta plena Dominus tecum. O arco da entrada, em calcário provavelmente vindo do reino, é um dos raros apontamentos manuelinos na Ásia. Da esplanada, dizia então Bocarro, subia‐se a um orelhão onde ficava a casa dos capitães e se pretendia fazer um reduto que ligasse a outro reduto pequeno, que dava sobre a povoação e parece corresponder ao que veio a ser construído posteriormente, de que temos notícia pela campanha de melhoramentos ditada pelo Conselho de Estado da Índia em 1633. Conforme documento coevo, nesta campanha o engenheiro Manuel Homem de Pina mandou proceder a importantes trabalhos, que ditaram, para além da construção sobre a cisterna da esplanada que está defronte da capela, o erguer de "um pedaço de muro com os seus travezes pelo espinhaço da serra até lhe chegar à guarita que está feita no alto da serra de Macallã". Ainda de acordo com as palavras de Bocarro, em saindo da casa do capitão descia‐se ao revelim, onde estava a porta, que tinha uma prisão escavada sobre a rocha. Comparando o levantamento do século XVII, realizado por Barreto de Resende/António Bocarro, com o estado atual podemos confirmar a veracidade desta descrição, sendo que sobre a estrutura deixada pelos portugueses os locais terão feito pequenas intervenções apenas. Destas se destaca a elevação da torre do dito reduto, que é a que sobressai na silhueta do forte e teria sido fruto de uma campanha no século XVIII. De outra intervenção, datada já do final do século XX, é a torre que nasce junto ao mar e sobe até à parte superior do forte, construída para aí instalar um elevador. O forte tem cerca de oitenta metros entre duas das pontas da "estrela" e outros cinquenta metros nas outras pontas, os quais outros trinta metros corresponderão ao referido prolongamento sobre a serra. Os panos de muralha serpenteiam a montanha a diversos níveis, formando patamares onde se instalou o edifício de comando. O Forte Mirani é atualmente ocupado por um corpo militar.

Eduardo Kol de Carvalho

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