Gruta de Camões

Gruta de Camões

Macau, Macau, China

Equipamentos e infraestruturas

No século XIX, a Península de Macau conheceu um grande progresso na sua arborização, pois até então praticamente estava despida de cobertura vegetal. Houve um grande plano, levado paulatinamente a cabo por sucessivos governos, e também muitos proprietários florestaram as suas chácaras e construíram belíssimos jardins privados. Muitos desses jardins oitocentistas ainda hoje se conservam, e os macaenses dão‐lhes muito uso.
O segundo mais antigo dos jardins públicos da cidade é aquele onde se situa a mítica Gruta de Camões, local onde ele teria vivido quando da sua passagem pela península. É mais que provável que tudo não passe de lenda e, mesmo que aqui tenha estado, é ainda menos certo que se acolhesse a este local e não a uma qualquer cabana de outros portugueses, comerciantes ou missionários.
O jardim está situado na Colina de Patane e fez parte integrante da casa que foi ocupada, sob arrendamento, pelo administrador da Companhia Britânica das Índias Orientais. Os ingleses acabaram por sair da propriedade em 1835.
Na arquitrave do pórtico estão gravadas em chinês e em latim duas inscrições, através das quais ficamos a saber que foi o comendador Lourenço Caetano Cortela Marques que o erigiu, ele que era genro do comerciante Manuel Pereira, lendo‐se ainda a data de 1890.
Um dos motivos de interesse do jardim é a já citada Gruta de Camões, onde foi colocado um busto em bronze do poeta, de cariz naturalista, encomendado a Manuel Bordalo Pinheiro e fundido em Lisboa, em 1861, por Felisberto José Pereira. Segue a iconografia fantasiada, mas heróica, então em voga em Portugal, que seria consagrada no monumento que Vítor Bastos ergueu em Lisboa, quando das festas do centenário de 1880. Foi aqui colocado em 1866, após a aquisição da propriedade pelo governo de Macau.
Anteriormente havia uma pequena construção sobre as rochas, como algumas vistas gravadas oitocentistas e desenhos comprovam. Porém, os governantes macaenses mandaram destruí‐la em 1885 e também desbastar os rochedos primitivos para permitir uma maior visibilidade do monumento. Na mesma altura abriram arruamentos, fizeram canteiros, compraram mais plantas em Cantão, construíram um viveiro, instalaram vinte bancos, etc. Houve também a intenção de fazer aqui um zoo e de transformar o espaço num jardim botânico de carácter científico e sistémico, o que nunca sucedeu.

Pedro Dias

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