Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Ouro Preto, Vila Rica, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

Antes de construir sua igreja definitiva, a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos funcionou na Matriz de Nossa Senhora do Pilar e, a partir de 1709, numa ermida provisória, situada no Bairro do Caquende. Em 1731, como a matriz foi fechada para obras, esta capela acolheu o sacrário paroquial; em 1733, o Santíssimo Sacramento voltou ao seu lugar de origem, sendo trasladado durante a procissão "Triunfo Eucarístico". As informações acerca do autor do risco e da época da construção do templo definitivo, em alvenaria e cantaria de pedra, são pouco precisas. Segundo um relato estabelecido no final do século XVIII por um vereador de Mariana, o projeto desta igreja, bem como o de São Pedro dos Clérigos de Mariana, foram realizados pelo bacharel português António de Souza Calheiros, mas não há nenhum outro documento que confirme tal autoria. Segundo estudiosos, tais projetos, considerados "revolucionários" no contexto da arquitetura religiosa mineira do período, foram inspirados nas Igrejas de São Pedro dos Clérigos das cidades do Porto e do Rio de Janeiro. O certo é que as mencionadas igrejas de Ouro Preto e Mariana são semelhantes em muitos aspectos (planta elíptica, fachada e telhado curvilíneos, presença da galilé), e que, em 1762, as duas obras estavam sob a responsabilidade do construtor José Pereira dos Santos. Sabe‐se também que Manuel Francisco de Araújo (que também participou da obra de São Pedro dos Clérigos) fez um "risco da empena e frontispício" para a Irmandade do Rosário em 1784 - o qual constituiu, provavelmente, uma modificação do projeto original. No ano seguinte, esta parte da obra, bem como a construção das torres, foi arrematada por José Ribeiro de Carvalhais. A decoração interna da igreja do Rosário data das duas últimas décadas do século XVIII. Os altares laterais foram realizados por José Rodrigues da Silva e Manuel José Velasco. A execução das curiosas "pinturas ilusionistas, à imitação de talha" deve‐se aos artistas Manuel Ribeiro Rosa e José Gervásio de Sousa (este último foi também o autor dos painéis da sacristia, no período 1792‐1794). A pintura do forro da nave não chegou a ser executada. A construção do adro foi arrematada somente em 1820, por Manuel António Viana e José Veloso Carmo.

Cláudia Damasceno Fonseca

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