João Pessoa

Lat: -7.115319444444400, Long: -34.861050000000000

João Pessoa

Paraíba, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Nossa Senhora das Neves, fundada em 1585, foi sucessivamente renomeada Filipeia, Frederica, cidade da Paraíba e, em 1930, João Pessoa. Ela surgiu como sede da colonização da capitania da Paraíba, após longas guerras contra o povo indígena potiguara, e sua implantação visava a garantir a ocupação e a expansão produtiva das capitanias de Pernambuco e Itamaracá (Santa Rita, Engenhos da várzea do Rio Paraíba). Com isto, iniciou‐se um movimento sistemático de urbanização para o norte (Natal, São Luís, Belém). Contra o entendimento geral, Lins aponta só haver prova de seu status de cidade em 1587. O sítio urbano definitivo implantou‐se numa plataforma na margem sul do Rio Paraíba, combinando acesso direto ao porto fluvial adjacente, domínio visual do estuário do rio, disponibilidade de pedra para construção e proximidade de fontes de água potável. Moura Filha mostra a dificuldade de determinar a autoria do traçado inicialmente implantado. O tecido urbano resultante das primeiras cinco décadas de ocupação tem por origem a Matriz e o seu largo (com uma das faces aberta para a encosta). A sudeste estendem‐se três ruas paralelas, limitadas pelos conjuntos franciscano (a norte), beneditino (a oeste) e carmelita (a leste). As ruas e travessas, que são retas e cruzam‐se ortogonalmente, mantêm um sentido fortemente axial: os elementos tradicionais da cidade portuguesa somam‐se ao interesse na regularidade geométrica. Enquanto Moura Filha defende que a primeira via foi a Rua Nova (que parte da Matriz), Sousa argumenta que este papel coube à Rua Direita (que liga o convento franciscano à Misericórdia, ao largo da segunda Casa de Câmara e ao convento jesuíta). Carvalho, Martins e Tinem mostraram que a zona ribeirinha, vinculada ao porto, só se consolidaria como tecido urbano a partir da segunda metade do século XVII e permaneceria, no século XVIII, sendo considerada externa à cidade. Neste século, novas igrejas marcam a expansão ao longo dos caminhos (Nossa Senhora Mãe dos Homens e Nossa Senhora da Conceição) e o adensamento da área já ocupada (Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Mercês). Em meados do século XIX, foram feitas as primeiras intervenções urbanas orientadas para a "modernização", que atingiriam seu ápice ao longo do século XX, com demolições e obras viárias concentradas entre as décadas de 1920 e 1970. Estes processos e a contínua substituição da arquitetura ao longo dos séculos romperam parcialmente a escala da ocupação colonial e sua relação com o sítio. A década de 1970 marca também o início da desvalorização e degradação do núcleo inicial da cidade. Em 1987, um convénio firmado entre instâncias locais e o governo espanhol iniciou tentativas de revitalização da área, implantando critérios de controle sobre as intervenções arquitetónicas, restaurando uma série de monumentos e introduzindo na população a ideia da existência de uma área com valor histórico, a ser conservada.

Arquitetura religiosa

Arquitetura militar

Equipamentos e infraestruturas

Habitação

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