Palácio do Governador

Palácio do Governador

Kollan [Coulão/Quilon], Kerala, Índia

Habitação

Despontando no meio de uma vegetação luxuriante, marcada por esbeltas palmeiras, o antigo Palácio do Governador de Coulão reduz‐se, hoje, a um conjunto de altas paredes amuralhadas que testemunham a monumentalidade do projeto inicial. Na sua localização estratégica, o palácio, situado sobre a baía que se estende em frente, controlava o tráfico marítimo que entrava e saía do porto, afirmando‐se como elemento simbólico da presença portuguesa na região. Logo na primeira metade do século XVI, o edifício foi registado por Gaspar Correia nas Lendas da Índia, caracterizando‐se por duas altas torres com cobertura de telhado de quatro águas, ligadas por um corpo mais baixo. Embora de menores proporções, a tipologia e implantação do palácio manifestava claras afinidades com o Palácio da Fortaleza dos Vice‐Reis, em Goa. Quase um século depois, constatamos, através dos desenhos realizados por Pedro Barreto Resende e Manuel Godinho de Erédia, que o palácio mantinha o seu semblante acastelado. O edifício parece adquirir mais um piso e as torres ganham ameias, tomando o edifício um carácter mais palaciano. Na conquista da cidade, os holandeses, embora diminuindo significativamente o seu perímetro urbano, mantiveram o palácio, alojando nele o seu quartel‐general. Durante o período inglês, o velho palácio, perdendo significado estratégico, foi abandonado. As atuais ruínas correspondem ao torreão que encostava diretamente sobre a antiga muralha, sendo ainda visível um troço de parede com um friso de ameias de remate cónico. A permanência em pé destas altas e grossas paredes, que todos os anos recebem a forte erosão das monções, deve‐se, sem dúvida, ao desenvolvimento pelos portugueses de argamassas de alta resistência, com base em cal de ostra, resistente à água, que, como Gaspar Correia descrevia, quando endureciam nem o picão as partia.

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