Arco de Nossa Senhora da Conceição (Porta do Mandovim)

Arco de Nossa Senhora da Conceição (Porta do Mandovim)

Goa [Velha Goa], Goa, Índia

Equipamentos e infraestruturas

Juntamente com o Arco dos Vice ‑reis, o Arco de Nossa Senhora da Conceição permanece um dos poucos vestígios de melhoramentos ou intervenções que os portugueses operaram sobre o perímetro amuralhado muçulmano de Goa. A sua implantação, no local ou muito próximo da anterior Porta do Mandovim, constitui uma das balizas determinantes para compreender o desenho da linha defensiva da cidade pré‑ ‑portuguesa. Com o crescimento urbano da cidade de Goa após 1510, a muralha pré ‑portuguesa da cidade rapidamente se revelou obsoleta, tendo, por isso, começado a ser desmantelada e a sua cava entulhada. Contudo, as quatro portas principais mereceram uma atenção particular: a Porta do Cais foi integrada no Palácio dos Vice ‑Reis; a Porta dos Baçais foi integrada no conjunto da Misericórdia e Igreja de Nossa Senhora da Serra; e a Porta da Ribeira foi desmantelada, para no seu local se edificar a Capela de São Martinho. Finalmente, e segundo Gaspar Correia, a Porta do Mandovim depois de ter sido entaipada foi reaberta, figurando na vista de Goa da autoria de Linschoten publicada em 1596. Com o advento da Inquisição na Índia, a porta parece ter aumentado de significância, sendo o local por onde os condenados eram conduzidos à Praça do Mandovim, onde se executavam as sentenças. Neste contexto, foi ‑se afirmando o hábito de os condenados rezarem junto a uma imagem de Nossa Senhora colocada num nicho sobre o arco da porta. Para tal foram construídas escadas de acesso ao nível do nicho. Nesta altura, a estrutura era conhecida como Porta dos Justiçados e figura de forma proeminente na vista de Goa por Pedro Barreto Resende, anexa ao relatório de António Bocarro de cerca de 1635. Em meados do século XVII a porta foi renomeada Nossa Senhora da Conceição e é provável que tenha sido restaurada no âmbito do alarme gerado pela iminente invasão da Ilha de Tiswadi em 1683 ‑1684. Consumado o abandono da cidade de Goa, o Arco de Nossa Senhora da Conceição resistiu até ao presente, tendo sido restaurado, provavelmente, na década de 1950, a exemplo do que sucedeu com vários outros edifícios em Velha Goa. O desenho clássico da estrutura apresenta claras afinidades com a versão original do Arco dos Vice ‑Reis, da autoria do arquiteto Júlio Simão. Ressaltam as dimensões do seu nicho, de onde foi retirada a imagem de Nossa Senhora.

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