Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Mariana, Minas Gerais, Brasil

Arquitetura religiosa

As irmandades do Rosário, de São Benedito e de Santa Efigénia tiveram inicialmente suas sedes na antiga capelinha de Nossa Senhora do Carmo, em Mata Cavalos - a qual, devido à preponderância da primeira confraria, ficou posteriormente conhecida como "Rosário Velho", sendo hoje chamada Capela de Santo António. Em meados do século XVIII, as três confrarias de pretos se uniram para erguer um templo maior, no alto do morro situado do lado oposto do ribeirão. A pedra fundamental foi lançada em 14 de maio de 1752, numa cerimónia de grande pompa que contou com a presença do bispo e do ouvidor da comarca, entre outras autoridades. O risco e a construção ficaram a cargo do mestre‐de‐obras português José Pereira dos Santos, natural da comarca do Porto, que em 1762 também projetaria a harmoniosa Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Mariana. Como a maioria das igrejas construídas em Minas em meados do século XVIII, a fachada da Igreja do Rosário já é de pedra e cal, mas mantém a estrutura tradicional, com cornija reta e óculo no frontão. O frontispício apre‐ senta pilastras e cunhais em cantaria, sendo as janelas inferiores em madeira. A bênção da igreja ocorreu a 21 de dezembro de 1758; no entanto, as obras estender‐se‐iam até o início do século XIX, em parte devido à morte, em 1764, do mestre‐carpinteiro Sebastião Martins da Costa, ocorrida antes da conclusão das torres. O serviço só foi novamente contratado em 1814, com Manuel Francisco Damasceno e Francisco Machado de Jesus. Ao que parece, as torres foram inseridas de forma inadequada, apresentando‐se em desconformidade com o corpo da igreja, não só em termos de dimensões (elas deveriam ser mais largas), como de resistência. Internamente, a nave é percorrida por balaustrada de jacarandá; no teto, as cimalhas alteiam‐se em curvas acima do arco‐cruzeiro. As obras de talha do altar‐mor, realizadas entre 1770 e 1775, em estilo rococó, são de autoria de Francisco Vieira Servas, com risco semelhante ao de outras igrejas executadas pelo mesmo artista (como o altar‐mor da Igreja do Carmo de Sabará); os dois altares do arco‐cruzeiro também lhe foram atribuídos pelos especialistas. A pintura e o douramento do altar‐mor foram feitos tardiamente por Manuel da Costa Ataíde, através de contrato datado de 22 de março de 1823, bem como a decoração das paredes laterais e a pintura em perspectiva do teto da capela‐mor - esta última executada a têmpera, tendo como tema central a Assunção da Virgem. Como os irmãos careciam de recursos, alguns desses serviços tiveram que ser pagos com o produto da venda de parte da prataria de que dispunham. Após a classificação, a igreja passou por reformas empreendidas pelo IPHAN nas décadas de 1940 e 1950, e também mais recentemente (1998‐2000).

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