Forte do Morro

Forte do Morro

Chaul [Revdanda Fort], Maharashtra, Índia

Arquitetura militar

O Forte do Morro de Chaul situa‑se no topo de um promontório na margem sul do Rio Kundalika, de fronteda antiga cidade portuguesa de Chaul. A história deste lugar é indissociável da batalha que em 1594 ditou a sua conquista pelos portugueses, uma das últimas vitórias e posições significativas alcançadas pelo Estado da Índia, com exceção para a campanha das novas conquistas em Goa, em meados do século XVIII. Pouco tempo após a fortificação da feitoria de Chaul (1521), os portugueses estabeleceram uma posição defensiva na margem sul da barra, cuja localização precisa se desconhece. Tratava‑se, segundo Gaspar Correia, de uma "torre de um sobrado no topo do monte". Após alguns conflitos com as forças do sultanato de Ahmednagar, a zona do promontório foi desmilitarizada. Contudo, os portugueses não desistiram de ocupar o local. A batalha decisiva do Morro de Chaul ocorreu em Setembro de 1594, altura em que os soldados do sultanato de Ahmednagar tinham edificado baluartes e muralhas no monte. A partir dessas posições, importunavam a navegação da barra de Chaul. Decididos, os portugueses agruparam‑se na praça de Chaul e atravessaram o rio em pequenas embarcações. Após escassas horas de batalha, os atacantes tinham tomado várias posições, resistindo as forças indianas apenas numa última estrutura, desde então chamada Torre de Resistência. Segundo Diogo de Couto, após a conquista do morro grande parte das suas estruturas militares foi desmantelada, devido aos encargos inerentes à manutenção de uma fortificação tão extensa. Porém, tal afirmação é difícil de asseverar. Certo é que, no contexto de um ataque por forças indianas em 1646, se iniciaram obras de reconstrução na parte sul do forte, a que chamavam castelo. Duas inscrições atestam esta campanha, da qual resultaram a Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, armazéns de pólvora e outras estruturas.A partir de então a fortificação parece não ter sofrido intervenções significativas, apesar de ter sido cercada em 1684. O morro permaneceu bem apetrechado e vigiado até Outubro de 1740, data em que foi entregue aos maratas, juntamente com a praça de Chaul. O desenho do forte revela a atitude pragmática e adaptável da engenheira militar portuguesa no Oriente. No Morro de Chaul, os portugueses uniram um forte preexistente na cumeeira do monte a um baluarte costeiro situado na barra do rio, através de uma couraça com mais de meio quilómetro de comprimento. Pode‑se argumentar que o aspecto imponente resultante ultrapassava em alguma medida a verdadeira robustez e defensibilidade do forte. O forte está relativamente bem preservado, com muitas peças de artilharia ainda nas suas posições.À cota mais baixa, a fechar um terreiro de forma triangular no lado norte, localiza ‑se o Baluarte de Santa Cruz. Esta posição cruzava tiro com a praça de Chaulpara defesa da barra. Em 1635, estava guarnecida com cinco bocas de fogo e contava com um destacamento de vinte soldados e dois bombardeiros. Do lado de Chaul abre ‑se na couraça uma porta para um pequeno cais. Os aquartelamentos dos soldados ainda subsistem no ângulo nordeste do terreiro. No lado oeste, a uma cota mais alta, situa‑se o Baluarte Cavaleiro. Subindo por uma escadaria em direção ao sul, chega‑‑se ao Baluarte de São Tiago. Daqui arranca uma couraça com cerca de cem metros, que conduz ao Baluarte de São Francisco Xavier. Nova couraça, com cerca de cento e vinte metros, estende ‑se até à guarita de vigia de São Filipe. Deste ponto começa outra couraça com cerca de cento e quarenta e cinco metros, a qual se prolonga até ao castelo, o núcleo principal da fortificação pré‑‑portuguesa. Acede ‑se ‑lhe através de uma porta que conduz a um primeiro terreiro, onde estão algumas estruturas sagradas hindus e vestígios de outras construções.A alguns metros para sul encontra ‑se nova abertura, flanqueada por dois fortes baluartes redondos,de onde se acede ao terreiro principal do castelo,onde está localizada a já referida Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem. A administração desse templo estava entregue aos franciscanos, que, aliás, tiveram um papel ativo na conquista. A construção evoluiu a partir de uma estrutura com paredes de esteiras e teto em ola ou palha, para um edifício completamente abobadado, com um frontispício de desenho característico das igrejas da Província do Norte: portal com arco de volta perfeita, encimado por uma janela retangular e ainda por um óculo. De realçar os motivos decorativos nas bases das colunas do portal.Segundo Gritli von Mittelwallner, a fachada principal incluiria ainda um pequeno alpendre e um campanário.No interior, do lado direito da capela‑mor, nota‑se uma abertura para uma sacristia e no mesmo lado, no corpo da nave, subsistem degraus de acesso a um púlpito.No exterior da cabeceira da capela implantam‑se dois contrafortes.Neste setor do castelo encontravam ‑se ainda a casado capitão, armazéns para munições e um cruzeiro.No lado leste existe uma porta na muralha, precedida de degraus. Daqui partia um caminho em direção à aldeia de Korlai, no sopé do morro. Esta porta apresenta um arco de aparência árabe, coroado por uma inscrição portuguesa pouco legível. Provavelmente, seria uma das portas da estrutura pré‑portuguesa. Imediatamente a norte, transpondo um pano de muro,existe outro terreiro, onde se localiza uma cisterna subterrânea. No extremo sul da fortificação encontra ‑se um baluarte em forma de tesoura, igualmente provido de artilharia. Para além deste, situa ‑se uma cava, que efetivamente dividia o terreno da estrutura defensiva do resto da península do Morro de Chaul. Como sucedia no planalto fortificado de Asserim, os parapeitos do morro estavam guarnecidos com pedregulhos, prontos a serem rolados pelas encostas em caso de ataque. As comunicações através do rio entre o morro e a cidade eram de importância crucial. Em 1635, um dos armazéns de munições dentro do morro pertencia por exclusivo a Chaul. A entreajuda entre as fortificações,o varejamento cruzado de artilharia sobre a barra e o bom nível de fortificação tanto da cidade como do morro tornavam a cidade de Chaul um dos locais mais seguros de todo o Estado da Índia.

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